Camzyos pelo SUS ou pelo Plano de Saúde: Como Conseguir
Fora das listas do SUS e do rol da ANS — é exatamente isso que o pedido na Justiça precisa enfrentar, e o relatório do cardiologista é onde ele começa.
Mavacanteno negado pelo plano ou sem fornecimento no SUS: quando cabe ação judicial
O Camzyos (mavacanteno) não está entre os medicamentos da rede pública nem no rol da ANS para a cardiomiopatia hipertrófica obstrutiva; o que muda é o caminho do pedido e os documentos que ele exige. Ele tem registro na ANVISA desde janeiro de 2023 para adultos com essa doença e age reduzindo a força excessiva de contração do coração. Não é só o medicamento que está fora das listas do SUS: a própria doença não tem protocolo clínico, e isso muda o que o relatório médico precisa dizer.
Se a recusa do SUS ou do plano já chegou por escrito, envie-a ao escritório pelo WhatsApp: enviar a negativa do Camzyos.
O que é o Camzyos (mavacanteno) e para quem ele é indicado?
O Camzyos é o nome comercial do mavacanteno, medicamento de uso oral da Bristol-Myers Squibb, tomado uma vez ao dia. A ANVISA o registrou para adultos com cardiomiopatia hipertrófica obstrutiva sintomática nas classes funcionais II e III da NYHA, para melhorar a capacidade funcional, a classe NYHA e os sintomas.
A cardiomiopatia hipertrófica obstrutiva (CMHo, CID I42.1) é uma doença do músculo cardíaco, em geral de origem genética, que engrossa a parede do coração e dificulta a saída do sangue do ventrículo esquerdo. A própria ANVISA a descreve como doença rara e crônica. No dia a dia, ela aparece como falta de ar, cansaço, dor no peito e dificuldade para esforços simples.
Tecnicamente, o mavacanteno é um inibidor da miosina cardíaca — a proteína responsável pela contração do músculo do coração. Ele reduz a força excessiva dessa contração, que é o que provoca a obstrução. O diagnóstico e o acompanhamento são feitos por imagem, sobretudo pelo ecocardiograma, que mede o gradiente de obstrução na via de saída do ventrículo esquerdo.
O fato que muda o pedido: não é só o mavacanteno que está fora das listas do SUS. O Ministério da Saúde não publicou protocolo clínico para a CMHo — a doença inteira não tem uma lista oficial de tratamento na rede pública. Por isso o relatório do cardiologista precisa explicar, com precisão, o que já foi usado e por que não bastou.
Essa ausência de protocolo é o ponto de partida para entender o que a rede pública exige quando alguém pede o Camzyos.
O SUS fornece o Camzyos? O que o pedido precisa demonstrar
O mavacanteno não integra a RENAME, a relação de medicamentos disponibilizados pela rede pública, e não há decisão de incorporação pela CONITEC. Por isso as farmácias do SUS não o dispensam pela via administrativa. O fornecimento pode ser pedido judicialmente, mas o pedido precisa reunir um conjunto de critérios, todos ao mesmo tempo.
Desde 2024, com os critérios fixados pelo STF para medicamentos registrados na ANVISA e fora das listas do SUS, esse pedido deixou de ser uma discussão genérica sobre direito à saúde. Ele precisa demonstrar, de forma documentada:
- A negativa administrativa. O medicamento foi pedido antes à rede pública, e o pedido foi recusado ou ficou sem resposta.
- A situação na CONITEC. Não há pedido de incorporação, a avaliação não foi concluída no prazo legal, ou a recusa de incorporação não se sustenta.
- A falta de substituto. Nenhum medicamento das listas do SUS atende aquele paciente, por falha, intolerância ou contraindicação documentada.
- A evidência científica. Eficácia e segurança demonstradas por estudos de alto nível, como ensaios clínicos randomizados e revisões sistemáticas.
- O relatório fundamentado. Laudo do médico assistente que descreva a necessidade do medicamento e o tratamento já realizado.
- A incapacidade de custeio. O paciente não tem condições de pagar pelo tratamento.
A competência — Justiça Federal ou Estadual — varia conforme o custo anual do tratamento e os entes públicos envolvidos, e a definição do juízo é parte da análise individualizada. Para uma visão geral desse caminho, veja o que fazer diante da negativa de medicamento de alto custo pelo SUS.
O critério da incapacidade de custeio leva à pergunta seguinte: quanto, afinal, custa o Camzyos?
Quanto custa o Camzyos e quem pode ser chamado a pagar?
O preço máximo do Camzyos é regulado pela CMED e varia conforme a alíquota estadual de ICMS. Como o uso é contínuo, uma vez ao dia, o custo fica na casa dos milhares de reais por mês — e o tratamento exige, além do medicamento, ecocardiogramas periódicos de acompanhamento.
É por isso que a cobertura, e não o acesso ao produto, costuma ser a questão central. Há dois caminhos possíveis: o plano de saúde, quando existe contrato, e a rede pública. Os dois podem ser discutidos, cada um com seus próprios critérios, e em alguns casos a análise considera os dois ao mesmo tempo.
O cardiologista já prescreveu o Camzyos?
O relatório dele é o documento que define por qual caminho seguir. Envie ao escritório: a leitura indica se o plano, o SUS ou os dois podem ser acionados no seu caso.
Enviar a prescrição e o relatório médicoO plano de saúde cobre o Camzyos fora do rol da ANS?
O mavacanteno não integra o rol da ANS, e esse é o motivo mais usado pelas operadoras para recusar. Mas a Lei 14.454/2022 estabeleceu critérios para cobertura fora do rol, e a ausência na lista, sozinha, deixou de bastar como fundamento para a recusa.
Esses critérios são cumulativos: prescrição fundamentada do médico assistente, registro na ANVISA, ausência de alternativa equivalente no rol, eficácia e segurança demonstradas por estudos de alto nível e inexistência de decisão expressa da ANS recusando a inclusão do medicamento, ou de proposta de inclusão ainda em análise.
O Camzyos cumpre o do registro; os demais dependem do relatório e do contrato. Há mais detalhes em quando o plano pode negar medicamento fora do rol da ANS e no panorama sobre cobertura de medicamentos de alto custo pelos planos.
Onde o Camzyos está em cada lista
| Situação | O que isso significa para você | Há base para questionar? |
|---|---|---|
| Registro na ANVISA desde janeiro de 2023 | O uso está aprovado no Brasil para adultos com CMHo sintomática, classes II e III da NYHA. | É requisito comum aos dois caminhos — e está cumprido. |
| Fora da RENAME | As farmácias do SUS não dispensam o medicamento pela via administrativa. | Sim — há critério legal para o pedido judicial; depende da negativa administrativa e do relatório médico. |
| Sem decisão de incorporação pela CONITEC | Não há avaliação concluída que inclua o mavacanteno na rede pública. | Sim — a situação na CONITEC é um dos critérios que o pedido precisa demonstrar. |
| CMHo sem protocolo clínico no SUS | Não existe lista oficial de tratamento para a doença na rede pública. | Sim — é relevante para demonstrar que não há substituto nas listas. |
| Fora do rol da ANS | O plano tende a recusar pela via administrativa. | Sim — há critério legal para questionar a recusa; depende do relatório médico e do contrato. |
Situação verificada em 21/09/2026. Fontes: portal da ANVISA, RENAME, CONITEC e notas técnicas de NatJus sobre o mavacanteno.
Por que o SUS e o plano recusam o Camzyos — e o que responde a cada motivo
As recusas de Camzyos costumam se apoiar em um de três motivos: a ausência nas listas oficiais, a falta de protocolo clínico e a existência de alternativas. Cada um se responde com um documento diferente, e nenhum deles encerra, sozinho, a possibilidade de discutir o pedido.
Nas negativas de Camzyos que chegam ao escritório, o argumento mais frequente é o terceiro — e ele quase sempre vem sem qualquer menção ao que o paciente já usou.
“O medicamento não consta da RENAME nem do rol da ANS.”
É o motivo mais comum e o mais fraco quando isolado. No plano de saúde, a ausência no rol deixou de bastar como fundamento depois da Lei 14.454/2022. No SUS, a ausência da RENAME é o ponto de partida do pedido judicial, não o seu fim: o que pesa são os critérios descritos acima.
“Não há protocolo clínico para essa indicação.”
É verdade, e pode ser usado a favor do paciente. Se não há protocolo para a CMHo, não há lista oficial de tratamento que a rede pública possa apontar como substituto. O relatório médico deve registrar essa circunstância de forma expressa.
“Existem alternativas terapêuticas disponíveis.”
É o argumento mais técnico. Os tratamentos já oferecidos de forma rotineira atuam no controle dos sintomas e pertencem a classe terapêutica distinta. Quando o paciente já os usou sem resposta adequada, ou tem contraindicação a eles, o relatório que registra doses, tempo de uso e resultado responde diretamente à recusa.
Imagine, como exemplo hipotético, o paciente que usa há tempos as opções de rotina, continua com falta de ar ao subir uma escada e tem no ecocardiograma um gradiente de obstrução elevado. Se o relatório disser apenas “paciente com CMHo, prescrevo mavacanteno”, a recusa por existência de alternativas encontra espaço. Se registrar o que foi tentado, por quanto tempo e com qual resultado, o relatório responde exatamente ao que a recusa alega.
Saber qual dos três motivos aparece na sua carta é o que define o primeiro passo.
SUS ou plano recusou o Camzyos? Comece pelo histórico de tratamentos no relatório
O primeiro passo é obter a negativa por escrito, com número de protocolo, do plano ou da secretaria de saúde. Em seguida, pedir ao cardiologista um relatório que registre o diagnóstico, a classe funcional, os tratamentos já usados com doses e resultado, e a razão da indicação do mavacanteno.
Se a recusa foi verbal ou por telefone, peça a formalização por canal oficial: e-mail, portal do beneficiário, aplicativo do plano ou resposta da secretaria de saúde. É esse documento que abre a discussão.
Diagnóstico com CID, classe NYHA, tratamentos já utilizados com doses, tempo de uso e resultado, e a justificativa para o mavacanteno. É o documento que responde ao argumento de alternativas.
Ecocardiogramas com o gradiente de obstrução e a fração de ejeção, além de outros exames que o cardiologista tenha solicitado, como ressonância cardíaca ou teste de esforço.
O pedido à secretaria de saúde e a sua recusa, ou a falta de resposta, são requisitos da própria ação judicial contra o poder público. Guarde o protocolo.
Se precisar comprar o medicamento para não interromper o tratamento, guarde cada nota fiscal. Elas são a base de um eventual pedido de ressarcimento.
Documentos para pedir o Camzyos: por que o ecocardiograma de acompanhamento entra no pedido
O pedido do Camzyos não se resume à prescrição. O tratamento exige ecocardiogramas periódicos, e por isso o acompanhamento por imagem integra o que se pede — ao plano ou ao SUS. Os seis documentos abaixo formam a base mínima da análise e de um eventual pedido judicial.
Na análise dos pedidos de mavacanteno, o documento que mais falta não é a prescrição: é o relatório que reúne, em um único texto, a classe funcional, o resultado do ecocardiograma e a razão pela qual as opções já usadas não bastaram.
Com esses documentos em mãos, a pergunta natural é: para quem enviar, e o que acontece depois?
O que acontece depois que você envia a prescrição ou a negativa do Camzyos?
Um advogado do escritório lê a justificativa da recusa, confere o relatório médico e os exames, e devolve a você a lista do que falta e a avaliação da ação judicial no seu caso: contra o plano de saúde, contra o poder público ou contra os dois. A decisão de seguir é sempre sua.
A justificativa do plano ou da secretaria de saúde é confrontada com o contrato, com a situação do mavacanteno em cada lista e com o que o cardiologista escreveu.
Nos pedidos de Camzyos, quase sempre é o histórico de tratamentos com doses e resultado, ou um ecocardiograma recente com o gradiente de obstrução.
Plano de saúde, SUS ou os dois: o escritório indica contra quem a ação se dirige e por quê, inclusive quando o custo anual do tratamento muda o juízo competente.
Atendimento e processo são digitais, para pacientes de qualquer estado.
Liminar para o Camzyos: o que o juiz examina no relatório do cardiologista
Quando o relatório demonstra a necessidade do tratamento e o risco de aguardar o fim do processo, é possível pedir tutela de urgência para que o medicamento seja fornecido durante a ação. O juízo examina, sobretudo, a consistência da documentação clínica e o preenchimento dos critérios de cada caminho.
No pedido do Camzyos, a tutela de urgência se apoia no relatório do cardiologista: classe funcional, gradiente de obstrução, tratamentos já tentados e o que muda para o paciente sem o medicamento. É esse conjunto, e não a prescrição isolada, que o juízo examina.
Para entender como esse pedido funciona de forma geral, veja o guia sobre liminar contra plano de saúde: como funciona e quando cabe.
Dúvidas frequentes sobre o Camzyos pelo SUS e pelo plano de saúde
O SUS fornece o Camzyos (mavacanteno)?
O mavacanteno não integra a RENAME e não há decisão de incorporação ao SUS, por isso a rede pública não o dispensa pela via administrativa. O fornecimento pode ser pedido judicialmente quando o caso reúne os critérios exigidos: negativa administrativa, ausência de substituto nas listas, relatório médico com o histórico de tratamento, evidência científica de alto nível e incapacidade de custear o medicamento.
O plano de saúde cobre o Camzyos fora do rol da ANS?
O mavacanteno não integra o rol da ANS, mas a Lei 14.454/2022 abriu a possibilidade de cobertura fora da lista quando critérios cumulativos são atendidos: prescrição fundamentada do cardiologista, registro na ANVISA, ausência de alternativa equivalente no rol e eficácia demonstrada por estudos de alto nível. A viabilidade depende do contrato e da documentação clínica do paciente.
Quanto custa o Camzyos no Brasil?
O preço máximo do Camzyos é regulado pela CMED e varia conforme a alíquota estadual de ICMS. O uso é contínuo, uma vez ao dia, o que coloca o custo na casa dos milhares de reais por mês, sem contar os ecocardiogramas de acompanhamento exigidos durante o tratamento. Por isso a cobertura costuma ser a questão central para o paciente.
Quais documentos são necessários para pedir o Camzyos?
O documento central é o relatório do cardiologista, com diagnóstico e CID, classe funcional, os tratamentos já utilizados com doses e resultado, e a razão pela qual o mavacanteno é indicado. Completam o pedido a prescrição atualizada, os ecocardiogramas, a negativa por escrito do SUS ou do plano, o contrato ou a carteirinha e documentos pessoais com comprovante de renda.
É possível pedir o Camzyos por liminar durante o processo?
Quando o relatório médico demonstra a necessidade do tratamento e o risco de aguardar o fim do processo, pode ser formulado pedido de tutela de urgência para que o medicamento seja fornecido durante a ação. O juízo examina a documentação clínica e a consistência do pedido, e a concessão depende da análise do caso concreto.
Por que o relatório precisa descrever os tratamentos já usados?
Porque o motivo de recusa mais técnico é a existência de opções já oferecidas de forma rotineira. Essas opções atuam no controle dos sintomas e pertencem a classe terapêutica distinta. Quando o relatório registra quais foram usadas, em que doses e com qual resultado, ele responde diretamente ao argumento de que haveria substituto disponível nas listas.
Posso pedir reembolso do Camzyos que comprei após a negativa?
Quando o paciente custeou o medicamento para não interromper o tratamento depois de uma recusa indevida, é possível pleitear o ressarcimento dos valores pagos. A análise depende da prescrição anterior à compra, da negativa formalizada pela operadora ou pelo ente público e da preservação das notas fiscais de cada aquisição.
Qual é o caminho prático para pedir o Camzyos?
O Camzyos (mavacanteno) tem registro na ANVISA desde janeiro de 2023, mas está fora da RENAME, sem decisão de incorporação pela CONITEC e fora do rol da ANS — e a própria CMHo não tem protocolo clínico no SUS. O caminho passa por obter a negativa por escrito, reunir o relatório do cardiologista com o histórico de tratamentos, os ecocardiogramas e o contrato, e avaliar se o pedido segue pelo plano, pelo SUS ou pelos dois.
No escritório, costumamos dizer que o que muda um pedido de mavacanteno raramente é um documento a mais: é o relatório dizer, com clareza, o que foi tentado antes.
Atendimento especializado
O SUS ou o plano recusou o Camzyos mesmo com prescrição do cardiologista?
Envie a negativa e o relatório médico. O escritório lê a justificativa da recusa, confere a documentação e indica o caminho que se aplica ao seu caso.
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Conteúdo revisado por Felipe Müller Corrêa da Silva — OAB/RS 82.728, em . Fontes consultadas: ANVISA, RENAME, CONITEC e CMED.

Felipe Müller Corrêa da Silva
Advogado · OAB/RS 82.728 — Sócio de Martins, Corrêa da Silva Advogados. Atuação exclusiva em Direito à Saúde, dedicado a ações contra planos de saúde, SUS e judicialização de medicamentos e tratamentos de alto custo. Atende em Porto Alegre, São Paulo e em todo o Brasil, com processos 100% digitais.